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Blog do Professor Paulo César : VIAGEM AO PASSADO: Em 1965, governador visita Serr...
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quarta-feira, 25 de janeiro de 2017
Arte da Ficção
Ao longo do século XX, o cinema tor--nou-se um poderoso meio de comunicação. Despertou interesse de vários estudiosos, em especial os historiadores, que se envolveram no debate sobre as relações entre o audiovisual e a história. Até que ponto o cinema poderia produzir obras históricas ou, somente, obras de ficção? E como distinguir o discurso histórico do ficcional?
Aristóteles, na sua Arte poética, estabeleceu uma distinção simples: historiador é aquele que escreve sobre o que aconteceu, já o ficcionista escreve sobre o que poderia ter acontecido. No entanto, essa distinção se turva quando admitimos que o fato não é uma matéria bruta que se impõe à percepção, mas sim a resultante de buscas movidas pela interpretação do real.
Neste debate, há uma vertente que prioriza a interpretação histórica do filme, valorizando não só as produções que se pretendem não-ficcionais, mas também as de ficção. Segundo Marc Ferro, o filme, seja ele documentário ou ficção, quando analisado em associação com o mundo que o produziu, pode prestar testemunhos da realidade representada. A hipótese desse historiador é que o filme, documento ou ficção, intriga autêntica ou pura invenção, é história. Já o postulado coloca as intenções e o imaginário do homem também como parte da história.
Outra vertente desse debate reconhece as possibilidades de uma interpretação fílmica dos acontecimentos, pois o discurso historiográfico não é gênero exclusivo permitido apenas aos profissionais. Nesses casos, teremos os filmes concebidos a partir de rigorosas pesquisas. Todavia, mesmo essas produções não se isentariam de aspectos ficcionais: o desempenho dos atores, a voz, os gestos. Se, como dizia Glauber Rocha, “um filme é feito com uma câmera na mão e uma idéia na cabeça”, parece evidente que a câmera exibe o que a cabeça pensou. Em todos os filmes, a realidade mostrada é, antes de tudo, editada.
Assim, percebemos que as duas vertentes anteriores se combinam na medida em que história e ficção se mesclam. Um exemplo feliz dessa fusão é o filme O nome da rosa, dirigido por Jean-Jacques Annaud e baseado no romance homônimo de Umberto Eco, em que um monge investiga uma série de mortes em um mosteiro medieval. Trata-se de uma obra de ficção que recebeu elogios dos maiores medievalistas, entre eles, Georges Duby.
História e ficção, quando uma presta serviço à outra, produzem um cinema de qualidade, gerando um processo inesgotável de produção de sentidos. Talvez por isso, o cinema tenha atravessado as salas de projeção convencionais para chegar, também, às salas de aula
